Impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho
Nenhum dos estudos que lemos diz quais profissões vão acabar. Eles medem exposição, a parte das tarefas de uma ocupação que a IA pode executar ou apoiar. Segundo a FGV IBRE, quase 30 milhões de ocupados no Brasil estavam em ocupações com algum grau de exposição à IA generativa no terceiro trimestre de 2025, e o estudo faz questão de dizer que exposição potencial não é impacto realizado. Para quem procura vaga, o que pesa é descrever bem as próprias tarefas.
Os estudos públicos medem quanto das tarefas de uma ocupação a IA pode tocar, não quantos empregos vão acabar. Veja o que dizem sobre o Brasil e o que muda na hora de enviar o currículo.
Neste artigo
Este texto reúne o que estudos públicos dizem sobre inteligência artificial e emprego, com foco no Brasil, e o que isso muda para quem procura vaga. Os estudos medem a exposição das ocupações, não empregos perdidos, e os números dependem do método de cada um.
Quais profissões a IA vai substituir?
Os estudos que lemos não respondem a essa pergunta. Eles dividem cada ocupação em tarefas e estimam quantas a IA poderia executar ou apoiar. O resultado é um índice de exposição, não uma previsão de demissões.
A OIT escreve que a maioria das ocupações tem tarefas que exigem participação humana, e por isso o efeito mais provável da IA generativa é a transformação dos empregos (Working Paper 140, 2025). Na América Latina, o estudo da OIT e do Banco Mundial (2024) conclui que é mais provável a IA complementar o trabalho do que automatizá-lo por completo.
Quantos trabalhadores brasileiros estão expostos à IA?
Quase 30 milhões, ou 29,6% dos ocupados, estavam em ocupações com algum grau de exposição no terceiro trimestre de 2025, segundo o estudo que o Blog do IBRE, da FGV, resume. Cerca de 5,2 milhões estavam no nível mais alto. O texto indica que a exposição é maior entre mulheres, jovens, pessoas mais escolarizadas, na região Sudeste e em serviços, sobretudo informação e comunicação e serviços financeiros.
O mesmo texto separa a exposição da complementaridade. Cerca de 20% combinam alta exposição e baixa complementaridade, o grupo mais vulnerável a perdas segundo a evidência do FMI que o estudo cita. Pouco mais de 20% combinam alta exposição e alta complementaridade, em que a IA tende a ajudar.
Exposição à IA significa perder o emprego?
Não. O autor da FGV IBRE diz que exposição potencial não é impacto realizado e que um índice baseado em tarefas mostra onde a IA pode atuar, não como ela já afeta o mercado. A medição também parte da situação anterior às ferramentas, o que reduz, mas não elimina, vieses.
Os números mudam com o método e o recorte. A OIT estima exposição de 11% do emprego nos países de baixa renda e de 34% nos de alta renda (2025), então uma cifra global não descreve o Brasil. Para a América Latina, o estudo de 2024 trabalhou com uma faixa de 26% a 38% dos empregos, e não com um número único.
A IA já mudou o emprego dos mais jovens?
Há um sinal, ainda inicial. Com dados da PNAD Contínua de 2022 a 2025, a análise da FGV IBRE encontrou efeitos concentrados em jovens de 18 a 29 anos, com queda na ocupação e na renda, e aponta substituição de tarefas em funções de entrada. O texto trata isso como evidência inicial, e a opinião é do autor, não da instituição.
Esse é um estudo, com um método. Ele não prova que o mesmo ocorra em todas as áreas, e não encontramos outro estudo público brasileiro que confirme o resultado.
O que a exclusão digital tem a ver com isso?
Segundo a OIT e o Banco Mundial, a exclusão digital pode impedir que cerca de metade dos empregos com potencial de ganho de produtividade, uns 17 milhões na região, aproveite a IA. No Brasil, cerca de 8,5% dos trabalhadores em situação de pobreza poderiam se beneficiar, mas só uns 40% deles usam tecnologia digital no trabalho.
Na prática, estar exposto à IA e conseguir usá-la são coisas diferentes.
O que muda na hora de procurar vaga?
Os estudos não dão uma técnica de candidatura. As conclusões a seguir são nossas, não dos autores: importa mais quais tarefas você faz do que o nome do cargo, porque o mesmo título de vaga pode esconder um trabalho que mudou nos últimos anos.
Leia o anúncio como uma lista de tarefas e compare com o que você faz. Se a vaga pede uso de ferramentas de IA, escreva isso no currículo só se for verdade, com a ferramenta e a tarefa. O guia Como adaptar seu currículo a uma descrição de vaga mostra como ajustar a experiência ao anúncio. Se você está trocando de área, o início do currículo pesa mais, e Como escrever o resumo do currículo trata disso.
Como preparar a candidatura
- Liste as tarefas do seu cargo atual e separe as repetitivas das que exigem julgamento ou contato com pessoas.
- Leia três vagas do cargo que você quer e anote as tarefas que se repetem.
- Coloque no currículo só o que você fez, com resultado ou número real quando houver.
- Antes de cada envio, releia o currículo ao lado da vaga e corrija o que não bate com a sua experiência.
A vaga pede experiência com IA?
Cole o anúncio no CVTailor. Ele compara seu currículo com a vaga e mostra a pontuação de compatibilidade e as palavras-chave que faltam. Você edita tudo antes de baixar o PDF.
Perguntas frequentes
Existe uma lista oficial de profissões que a IA vai substituir?
Não encontramos. Os estudos da FGV IBRE, da OIT e do Banco Mundial classificam ocupações por exposição e a calculam a partir das tarefas de cada uma. Nenhum deles apresenta o resultado como previsão de vagas perdidas.
Preciso citar IA no currículo?
Só se você usa de fato e a vaga pede. Cite a ferramenta e a tarefa em que ela entra. Não encontramos estudo que meça o efeito dessa linha nos processos seletivos.
Quem está começando a carreira corre mais risco?
A análise da FGV IBRE com a PNAD Contínua de 2022 a 2025 encontrou efeitos concentrados em jovens de 18 a 29 anos, com queda na ocupação e na renda. O próprio texto trata o resultado como evidência inicial.
Fontes
- FGV IBRE, Blog do IBRE, texto de Daniel Duque de 27 de abril de 2026 sobre estudo de Paulo Peruchetti, Fernando de Holanda Barbosa Filho e Janaína Feijó. Usa um índice de exposição da OIT baseado em tarefas e a PNAD Contínua de 2022 a 2025. Quase 30 milhões de ocupados (29,6%) estavam em ocupações com algum grau de exposição no terceiro trimestre de 2025, cerca de 5,2 milhões no nível mais alto. Os efeitos observados se concentram em jovens de 18 a 29 anos. O texto diz que exposição potencial não é impacto realizado e chama os resultados de evidências iniciais. FGV IBRE
- OIT, comunicado de 31 de julho de 2024, em inglês, sobre o estudo da OIT e do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe. A IA generativa pode influenciar de 26% a 38% dos empregos da região, mas é mais provável que complemente o trabalho do que o automatize por completo (2% a 5% dos empregos). A exclusão digital pode impedir que cerca de metade dos empregos com potencial de ganho de produtividade, uns 17 milhões, se beneficie. No Brasil, cerca de 8,5% dos trabalhadores em situação de pobreza poderiam se beneficiar, mas só uns 40% deles conseguem usar a tecnologia. OIT
- OIT, Working Paper 140 (maio de 2025), em inglês. Índice de exposição de ocupações à IA generativa. Um em cada quatro trabalhadores no mundo está em ocupação com alguma exposição, 3,3% do emprego global está na categoria mais alta, e a exposição vai de 11% do emprego nos países de baixa renda a 34% nos de alta renda. Ocupações de escritório têm a exposição mais alta. Para os autores, a transformação dos empregos é o efeito mais provável. OIT