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Impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho

Resposta direta

Nenhum dos estudos que lemos diz quais profissões vão acabar. Eles medem exposição, a parte das tarefas de uma ocupação que a IA pode executar ou apoiar. Segundo a FGV IBRE, quase 30 milhões de ocupados no Brasil estavam em ocupações com algum grau de exposição à IA generativa no terceiro trimestre de 2025, e o estudo faz questão de dizer que exposição potencial não é impacto realizado. Para quem procura vaga, o que pesa é descrever bem as próprias tarefas.

CVTailor team Publicado em 5 min de leitura

Os estudos públicos medem quanto das tarefas de uma ocupação a IA pode tocar, não quantos empregos vão acabar. Veja o que dizem sobre o Brasil e o que muda na hora de enviar o currículo.

Neste artigo

Este texto reúne o que estudos públicos dizem sobre inteligência artificial e emprego, com foco no Brasil, e o que isso muda para quem procura vaga. Os estudos medem a exposição das ocupações, não empregos perdidos, e os números dependem do método de cada um.

Quais profissões a IA vai substituir?

Os estudos que lemos não respondem a essa pergunta. Eles dividem cada ocupação em tarefas e estimam quantas a IA poderia executar ou apoiar. O resultado é um índice de exposição, não uma previsão de demissões.

A OIT escreve que a maioria das ocupações tem tarefas que exigem participação humana, e por isso o efeito mais provável da IA generativa é a transformação dos empregos (Working Paper 140, 2025). Na América Latina, o estudo da OIT e do Banco Mundial (2024) conclui que é mais provável a IA complementar o trabalho do que automatizá-lo por completo.

Quantos trabalhadores brasileiros estão expostos à IA?

Quase 30 milhões, ou 29,6% dos ocupados, estavam em ocupações com algum grau de exposição no terceiro trimestre de 2025, segundo o estudo que o Blog do IBRE, da FGV, resume. Cerca de 5,2 milhões estavam no nível mais alto. O texto indica que a exposição é maior entre mulheres, jovens, pessoas mais escolarizadas, na região Sudeste e em serviços, sobretudo informação e comunicação e serviços financeiros.

O mesmo texto separa a exposição da complementaridade. Cerca de 20% combinam alta exposição e baixa complementaridade, o grupo mais vulnerável a perdas segundo a evidência do FMI que o estudo cita. Pouco mais de 20% combinam alta exposição e alta complementaridade, em que a IA tende a ajudar.

Exposição à IA significa perder o emprego?

Não. O autor da FGV IBRE diz que exposição potencial não é impacto realizado e que um índice baseado em tarefas mostra onde a IA pode atuar, não como ela já afeta o mercado. A medição também parte da situação anterior às ferramentas, o que reduz, mas não elimina, vieses.

Os números mudam com o método e o recorte. A OIT estima exposição de 11% do emprego nos países de baixa renda e de 34% nos de alta renda (2025), então uma cifra global não descreve o Brasil. Para a América Latina, o estudo de 2024 trabalhou com uma faixa de 26% a 38% dos empregos, e não com um número único.

A IA já mudou o emprego dos mais jovens?

Há um sinal, ainda inicial. Com dados da PNAD Contínua de 2022 a 2025, a análise da FGV IBRE encontrou efeitos concentrados em jovens de 18 a 29 anos, com queda na ocupação e na renda, e aponta substituição de tarefas em funções de entrada. O texto trata isso como evidência inicial, e a opinião é do autor, não da instituição.

Esse é um estudo, com um método. Ele não prova que o mesmo ocorra em todas as áreas, e não encontramos outro estudo público brasileiro que confirme o resultado.

O que a exclusão digital tem a ver com isso?

Segundo a OIT e o Banco Mundial, a exclusão digital pode impedir que cerca de metade dos empregos com potencial de ganho de produtividade, uns 17 milhões na região, aproveite a IA. No Brasil, cerca de 8,5% dos trabalhadores em situação de pobreza poderiam se beneficiar, mas só uns 40% deles usam tecnologia digital no trabalho.

Na prática, estar exposto à IA e conseguir usá-la são coisas diferentes.

O que muda na hora de procurar vaga?

Os estudos não dão uma técnica de candidatura. As conclusões a seguir são nossas, não dos autores: importa mais quais tarefas você faz do que o nome do cargo, porque o mesmo título de vaga pode esconder um trabalho que mudou nos últimos anos.

Leia o anúncio como uma lista de tarefas e compare com o que você faz. Se a vaga pede uso de ferramentas de IA, escreva isso no currículo só se for verdade, com a ferramenta e a tarefa. O guia Como adaptar seu currículo a uma descrição de vaga mostra como ajustar a experiência ao anúncio. Se você está trocando de área, o início do currículo pesa mais, e Como escrever o resumo do currículo trata disso.

Como preparar a candidatura

  1. Liste as tarefas do seu cargo atual e separe as repetitivas das que exigem julgamento ou contato com pessoas.
  2. Leia três vagas do cargo que você quer e anote as tarefas que se repetem.
  3. Coloque no currículo só o que você fez, com resultado ou número real quando houver.
  4. Antes de cada envio, releia o currículo ao lado da vaga e corrija o que não bate com a sua experiência.

A vaga pede experiência com IA?

Cole o anúncio no CVTailor. Ele compara seu currículo com a vaga e mostra a pontuação de compatibilidade e as palavras-chave que faltam. Você edita tudo antes de baixar o PDF.

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Perguntas frequentes

Existe uma lista oficial de profissões que a IA vai substituir?

Não encontramos. Os estudos da FGV IBRE, da OIT e do Banco Mundial classificam ocupações por exposição e a calculam a partir das tarefas de cada uma. Nenhum deles apresenta o resultado como previsão de vagas perdidas.

Preciso citar IA no currículo?

Só se você usa de fato e a vaga pede. Cite a ferramenta e a tarefa em que ela entra. Não encontramos estudo que meça o efeito dessa linha nos processos seletivos.

Quem está começando a carreira corre mais risco?

A análise da FGV IBRE com a PNAD Contínua de 2022 a 2025 encontrou efeitos concentrados em jovens de 18 a 29 anos, com queda na ocupação e na renda. O próprio texto trata o resultado como evidência inicial.

Fontes

  1. FGV IBRE, Blog do IBRE, texto de Daniel Duque de 27 de abril de 2026 sobre estudo de Paulo Peruchetti, Fernando de Holanda Barbosa Filho e Janaína Feijó. Usa um índice de exposição da OIT baseado em tarefas e a PNAD Contínua de 2022 a 2025. Quase 30 milhões de ocupados (29,6%) estavam em ocupações com algum grau de exposição no terceiro trimestre de 2025, cerca de 5,2 milhões no nível mais alto. Os efeitos observados se concentram em jovens de 18 a 29 anos. O texto diz que exposição potencial não é impacto realizado e chama os resultados de evidências iniciais. FGV IBRE
  2. OIT, comunicado de 31 de julho de 2024, em inglês, sobre o estudo da OIT e do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe. A IA generativa pode influenciar de 26% a 38% dos empregos da região, mas é mais provável que complemente o trabalho do que o automatize por completo (2% a 5% dos empregos). A exclusão digital pode impedir que cerca de metade dos empregos com potencial de ganho de produtividade, uns 17 milhões, se beneficie. No Brasil, cerca de 8,5% dos trabalhadores em situação de pobreza poderiam se beneficiar, mas só uns 40% deles conseguem usar a tecnologia. OIT
  3. OIT, Working Paper 140 (maio de 2025), em inglês. Índice de exposição de ocupações à IA generativa. Um em cada quatro trabalhadores no mundo está em ocupação com alguma exposição, 3,3% do emprego global está na categoria mais alta, e a exposição vai de 11% do emprego nos países de baixa renda a 34% nos de alta renda. Ocupações de escritório têm a exposição mais alta. Para os autores, a transformação dos empregos é o efeito mais provável. OIT